Na COP30, setor de seguros leva soluções para adaptação climática e proteção social

O setor de seguros quer mostrar na COP30 que tem um papel fundamental na transição climática e na construção de uma economia mais resiliente. A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) vai levar à conferência das Nações Unidas para mudança climática, que será realizada em Belém (PA) a partir do dia 10 de novembro, a Casa do Seguro, um espaço de 1,6 mil metros quadrados, que será palco de debates e apresentações de soluções que conectam proteção financeira, adaptação climática e desenvolvimento sustentável. A casa tem patrocínio das seguradoras Allianz, AXA, BB Seguros, Bradesco Seguros, Caixa Seguridade, MAPFRE, Marsh McLennan, Porto, Prudential e Tokio Marine.

Segundo Cláudia Prates, diretora de Sustentabilidade e Relações de Consumo da CNseg, o trabalho desenvolvido ao longo do último ano permitiu consolidar o seguro como um instrumento reconhecido nas discussões globais sobre clima.

"Como foi um trabalho ao longo de mais de um ano, culminando agora na COP, os seguros foram mencionados nas cartas e no documento oficiais da organização da COP no Brasil. O seguro foi mencionado como um instrumento para a transição climática, que não era", aponta, e lembra que, até então, se falava muito de financiamento climático e pouco de seguro.

Na Casa do Seguro, serão apresentados produtos voltados à transição climática do Brasil, com foco em adaptação, economia circular e parcerias setoriais. "As seguradoras vão levar produtos que vão para a transição climática do Brasil, que vão ser importantes. A gente está levando essa discussão de adaptação, e economia circular. Então, essas discussões e essa aproximação são muito importantes para o pós-COP no ano que vem", diz Cláudia.

Entre os temas em destaque, está a ampliação do seguro agrícola e o debate sobre mecanismos de proteção contra eventos climáticos extremos. O setor agro, destaca ela, é um dos mais afetados pelas mudanças do clima e precisa de políticas que incentivem a contratação de seguros.

"O agronegócio é um setor muito afetado por mudança climática. Há dois caminhos: primeiro se preparar melhor, com obras de adaptação e sementes mais resilientes; e segundo, investir em proteção. Tudo é melhor do que refinanciamento. A maior proteção no setor agrícola é importante para aumentar a rapidez que você refaz sua plantação em caso de eventos climáticos", afirma.

A CNseg, segundo Cláudia, vem dialogando com o governo sobre a necessidade de ampliar os programas de subvenção e criar um fundo para acidentes climáticos maiores, de modo a reduzir o impacto fiscal de desastres e ampliar a resiliência do setor produtivo.

Na programação da Casa do Seguro, haverá também um evento em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) para discutir a relação entre seguros e mudanças climáticas. "O seguro é cada vez mais importante, porque o Brasil depende do agro. Se a gente não tiver seguros contratados para aumentar a nossa resiliência, vamos ter um impacto mais duradouro no PIB", diz.

Outro eixo da atuação da CNseg será o uso de dados e métricas de sustentabilidade para embasar novos produtos e instrumentos financeiros. Segundo Cláudia, o seguro pode reduzir o risco de projetos e, consequentemente, o custo do capital.

"Na hora que você reduz o risco de um projeto em termos de clima, você consegue ter um reflexo no seu spread (diferença entre o custo de captação e de oferta de capital pelo setor financeiro) , porque você está coberto de intempéries. Então, consegue reduzir o spread de risco daquele projeto. Hoje, algumas agências de rating que já estão trabalhando com risco climático, e não é só para projetos, para governos também", explica.

Ela cita que países e municípios com maior cobertura de seguros e investimentos em adaptação podem ter acesso a financiamentos com spreads menores. "Com o seguro, é possível caminhar para uma economia mais segura e resiliente, com spreads menores e menor comprometimento de capital pelos bancos", afirma.

Essa visão se conecta à nova taxonomia verde brasileira e a iniciativas de financiamento híbrido, como o Ecoinvest, programa do governo federal que combina recursos públicos e privados para fomentar a economia verde. "O próprio governo lançou o blended finance para fomentar a economia verde. Vários bancos já usaram esse recurso para financiar a economia verde", observa Cláudia.

Durante a COP30, a CNseg também apresentará novas parcerias com setores estratégicos, como o financeiro, o automotivo e o de infraestrutura. "Estamos nos aproximando cada vez mais dos setores e trazendo soluções. Quando você pergunta da COP, a gente vai ter o pós-COP, que é manter essas parcerias e ampliar o engajamento com novos produtos", afirma

Entre os exemplos que já vem sendo discutidos, estão o manual de seguros de performance para obras, a cooperação com a Febraban em educação financeira e o diálogo com a Anfavea para ampliar o seguro de veículos - hoje presente em apenas 30% da frota brasileira.

A diretora também destaca o potencial dos seguros sustentáveis, que podem incorporar critérios de economia circular e gerar benefícios ambientais e econômicos. "Se o carro já tiver, na previsão da seguradora, o tratamento do salvado e a destinação dentro de uma lógica de economia circular, esse seria um seguro sustentável - e, com isso, o cliente poderia ter um prêmio menor", exemplifica.

No campo social, a CNseg levará à COP discussões sobre microsseguros e proteção para populações vulneráveis. Cláudia defende a criação de um seguro social de catástrofe, que garanta apoio financeiro a famílias atingidas por desastres.

"Precisamos pensar em seguros municipais que também contemplem as pessoas, com algum tipo de ajuda financeira. O Brasil é muito solidário no momento da crise, mas, se a gente ajudar antes, fica mais fácil depois", afirma.

A ampliação do acesso a seguros entre as classes C, D e E é uma das prioridades da confederação. "A gente está pensando em fazer um evento de comunidades ano que vem, numa comunidade, fazer um teste com as seguradoras, fazer uma feira, levando as próprias pessoas da comunidade para falar de seguros, da importância de seguros. O custo não é impeditivo, ainda mais para seguro pessoal e microsseguro", explica.

Para Cláudia, o pós-COP será uma etapa decisiva. A intenção é manter os grupos de trabalho criados, fortalecer as parcerias e transformar as iniciativas em resultados concretos.

"Espero que a gente consiga ampliar a contratação de seguros no setor público, fortalecer a adaptação usando o seguro como instrumento e avançar na economia circular do Brasil. Também espero que possamos contribuir para a transição climática com seguros, reduzindo o risco de projetos que envolvem novas tecnologias para a diminuição das emissões", conclui.

Fonte: Um Só Planeta