Zurich reforça protagonismo do setor de seguros na COP30
A COP30, que começou oficialmente nesta segunda-feira, 10, em Belém, marca um momento histórico para o Brasil e para o setor de seguros.
Diante da crescente frequência de eventos climáticos extremos, as seguradoras assumem um papel cada vez mais estratégico na construção de resiliência e adaptação — não apenas indenizando perdas, mas atuando na prevenção, modelagem de riscos e apoio a políticas públicas.
Entre os players globais mais engajados nesse debate, a Zurich Seguros chega à conferência com o propósito de conectar resultados financeiros a um legado sustentável, reforçando que sustentabilidade e performance caminham juntas.
A companhia participa do evento com uma delegação de alto nível, incluindo o chairman global e a chief sustainability officer, e leva à mesa discussões sobre financiamento da adaptação, infraestrutura resiliente e o papel do seguro como catalisador da transição climática.
Em entrevista ao Sonho Seguro, o CEO da Zurich Seguros, Edson Franco, afirmou que o objetivo da presença da companhia na COP30 é “transformar conhecimento técnico em impacto concreto”, apoiando governos e empresas com dados de risco, soluções de mitigação e iniciativas de conservação.
Ele destacou ainda o avanço de projetos como o Zurich Forest, em parceria com o Instituto Terra, e o Projeto Origens, com o Imaflora, que unem preservação ambiental, geração de renda e valorização das comunidades tradicionais da Amazônia.
Para Franco, não há futuro econômico sem sustentabilidade e adaptação. O setor segurador, segundo ele, é essencial para reduzir vulnerabilidades e viabilizar investimentos resilientes. A entrevista completa aprofunda como a Zurich está integrando ciência, inovação e propósito à sua estratégia global e por que a COP30 representa um marco na consolidação do papel do seguro como agente de transformação climática e social. Leia os principais trechos da entrevista:
A COP30 coloca o Brasil no centro do debate climático. Como a Zurich enxerga o papel das seguradoras nesse contexto e de que forma pretende traduzir sua presença em Belém em resultados concretos para o país e para o setor?
A Zurich enxerga esse momento como uma oportunidade para reforçar o papel estratégico das seguradoras na agenda de adaptação e resiliência. Mais do que indenizar perdas, o setor pode contribuir com análises de risco, modelagem climática, orientação técnica e apoio ao planejamento de longo prazo, elementos essenciais para reduzir vulnerabilidades e qualificar investimentos públicos e privados.
A presença da Zurich em Belém busca transformar esse conhecimento em impacto concreto. A companhia participa de fóruns técnicos, painéis internacionais e encontros setoriais para apoiar discussões sobre resiliência urbana, infraestrutura e financiamento climático.
Estamos com uma delegação de alta relevância no evento, incluindo o Chairman do Grupo Zurich e a CSO global, para mostrar que integrar dados de risco desde o início é fundamental para viabilizar projetos e evitar perdas futuras.
O Brasil enfrenta perdas econômicas significativas associadas a desastres climáticos e, ao mesmo tempo, lidera debates sobre biodiversidade e transição ecológica. Nesse contexto, a Zurich pretende contribuir para o avanço de políticas públicas, ampliar o diálogo com governos e fortalecer mecanismos de prevenção e adaptação.
A participação na COP30 também está conectada ao apoio da Zurich a iniciativas socioambientais brasileiras, como a Exposição Amazônia, a Floresta Zurich e o Projeto Origens Brasil, que reforçam o compromisso com conservação, desenvolvimento sustentável e impacto de longo prazo.
A Zurich costuma destacar a importância de conectar resultados financeiros a propósito e legado sustentável. Como essa visão se materializa nas decisões de investimento e na gestão de riscos climáticos da companhia?
As mudanças climáticas são uma realidade e já estão afetando diretamente os negócios, não só no setor segurador, mas em todo o mercado. Os eventos do Rio Grande do Sul, com perdas estimadas em mais de R$ 80 milhões, evidenciam esse cenário. Para nós, é muito claro que não é possível pensar em sustentabilidade e resultados a longo prazo sem uma agenda de sustentabilidade e adaptação robusta, e por isso, estamos dispostos não só a transformar os nossos negócios, como apoiar nossos clientes, empresas e sociedade em um mundo em transição.
Mais de 50% do PIB global depende moderada ou altamente de ecossistemas saudáveis. Isso ressalta a importância de investidores e seguradoras apoiarem a proteção e a restauração do capital natural como um imperativo econômico (Fórum Econômico Mundial, 2020).
Esses dados de desenvolvimento sustentável contemplam o desempenho financeiro, e essa visão orienta tanto a forma como a companhia investe quanto a maneira como gerencia riscos de sustentabilidade.
Nosso Plano Global de Transição Climática deixa isso muito claro, com metas de descarbonização para operações, investimentos e subscrição, além de um direcionamento para o apoio a diferentes stakeholders para uma economia mais resiliente.
Nos investimentos, a companhia adota compromissos progressivos de redução de emissões e já avançou na diminuição das emissões financiadas no Brasil. Globalmente, a Zurich integra critérios ambientais, sociais e de governança na análise de riscos e oportunidades, com o objetivo de apoiar uma economia mais resiliente e previsível.
Na subscrição, a gestão de riscos climáticos vem sendo aprimorada com o uso de dados, cenários e modelos que ajudam a entender vulnerabilidades físicas e orientar decisões responsáveis. Isso inclui priorizar clientes que demonstram planos estruturados de transição energética, além de incorporar análises climáticas cada vez mais detalhadas nas carteiras corporativas.
Esse posicionamento junto aos nossos clientes conversa diretamente com nosso objetivo tornar a sociedade mais resiliente. Ferramentas como o Climate Spotlight, lançadas recentemente, reforçam essa abordagem ao permitir avaliar riscos presentes e futuros em diferentes cenários climáticos, e incentivar que os clientes adotem medidas de prevenção e adaptação antes dar perdas.
A companhia trabalha para que suas decisões financeiras e técnicas, bem como os produtos que oferecemos e os projetos com que nos comprometemos, contribuam tanto para a proteção dos clientes quanto para a construção de um legado positivo para as próximas gerações, alinhando performance econômica, responsabilidade climática e impacto de longo prazo.
Que temas a Zurich pretende levar para o debate técnico durante a COP30? Há alguma proposta específica que a companhia deseja apresentar para fortalecer a agenda de adaptação e resiliência no Brasil?
A Zurich estruturou sua participação na COP30 com foco em adaptação climática, gestão de riscos físicos e construção de resiliência para empresas, governos e comunidades.
A companhia levará ao evento discussões técnicas alinhadas ao seu Plano Global de Transição Climática, destacando a relevância de integrar ciência, dados e modelagem climática ao planejamento econômico e às políticas públicas nacionais.
O objetivo é contribuir, de forma qualificada, para que o debate climático avance a partir de diagnósticos precisos e de soluções viáveis para diferentes setores produtivos – o Climate Spotlight, é claro, é uma ferramenta muito relevante nesse sentido.
Entre os pontos prioritários, a Zurich reforçará a importância de que investimentos em infraestrutura e desenvolvimento passem por avaliações detalhadas de risco, de modo a garantir que novos projetos sejam concebidos para resistir às condições climáticas atuais e futuras.
Na agenda oficial, conforme já citado, a companhia participará de debates no Resilience Hub e na Casa do Seguro, com foco em financiamento da adaptação, prevenção de perdas e no papel estratégico do setor segurador na transição climática.
A participação na COP30 também se conecta ao apoio contínuo da Zurich a iniciativas socioambientais brasileiras que contribuem para conservação e desenvolvimento sustentável.
Conforme já mencionado, esse conjunto inclui o patrocínio à Exposição Amazônia, de Lélia Wanick Salgado e Sebastião Salgado; a Floresta Zurich, projeto voltado à restauração da Mata Atlântica junto ao Instituto Terra; e a parceria com o Origens Brasil, que fomenta o empoderamento econômico dos povos indígenas e a consequente preservação da floresta em pé pelas populações tradicionais da Amazônia.
O portfólio ESG da Zurich inclui ferramentas como o Climate Spotlight. Quais resultados já foram observados com essas soluções e como elas podem apoiar empresas e governos brasileiros na transição para uma economia de baixo carbono?
A Zurich vem utilizando o Climate Spotlight como uma ferramenta estratégica para apoiar empresas e governos na compreensão dos riscos físicos associados às mudanças climáticas e na construção de ações preventivas fundamentadas em dados e ciência.
Embora seja uma solução recente no Brasil, sua aplicação já demonstra como análises climáticas podem qualificar decisões e fortalecer a resiliência de diferentes setores.
No cenário internacional, se destaca a parceria com a Prefeitura de Madrid, que avaliou a intensificação de ilhas de calor para priorizar intervenções em escolas e rotas de deslocamento de estudantes.
Outro exemplo foi o mapeamento de vulnerabilidades climáticas realizado com a Maersk em portos estratégicos ao redor do mundo. Ambos os casos mostram como a ferramenta pode ajudar a orientar investimentos públicos e privados com maior precisão e visão de longo prazo.
No Brasil a solução também foi aplicada, entre outras organizações, pela WEG, que utilizou o Climate Spotlight para mapear riscos físicos em instalações globais e estruturar planos de mitigação voltados à continuidade operacional e segurança de colaboradores.
O conjunto desses resultados mostra que a ferramenta tem potencial para apoiar a transição para uma economia mais resiliente ao fornecer diagnósticos detalhados, antecipar vulnerabilidades e apoiar estratégias que dependem de previsibilidade e planejamento responsável.
Em poucas palavras, o Climate Spotlight pode orientar decisões de investimento mais eficientes e resilientes. Ao identificar vulnerabilidades em ativos, operações e cadeias produtivas, a ferramenta ajuda empresas a priorizar adaptações que evitam perdas e reforçar a sustentabilidade do negócio a curto, médio e longo prazo.
Para governos, os diagnósticos climáticos oferecem base técnica para incorporar adaptação e resiliência ao planejamento urbano e de infraestrutura crítica. Como demonstram os casos já citados, o uso de modelagem climática permite direcionar recursos para áreas sensíveis, estruturar políticas mais robustas e fortalecer a capacidade de municípios e estados de acessar financiamentos e desenvolver projetos alinhados à transição econômica e ambiental do país, e que sobretudo, protejam a população mais vulnerável.
O Projeto Origens e outras iniciativas da Zurich com comunidades tradicionais têm ganhado relevância. Que aprendizados essas experiências trazem sobre o papel do setor segurador em apoiar cadeias produtivas sustentáveis e economias locais?
As iniciativas da Zurich junto a comunidades tradicionais, especialmente por meio do Projeto Origens, reforçam não só como o setor segurador, mas todo o setor privado, pode contribuir para fortalecer cadeias produtivas sustentáveis, desde que estruture uma agenda de investimento social privado estratégica e direcionada a este fim.
Diante das mudanças climática, a Zurich tem a preservação da biodiversidade e empoderamento econômico como frentes importantes de sua atuação social. E o Projeto Origens, para o qual renovamos o nosso apoio no ano passado, é a síntese dessas duas premissas. O foco está em gerar renda por meio de relações comerciais éticas, com preços justos e rastreabilidade total dos produtos da sociobiodiversidade, fatores essenciais para reduzir vulnerabilidades socioeconômicas e valorizar o conhecimento tradicional.
Promover a inclusão econômica para os povos indígenas, preservando suas tradições, é a melhor forma de contribuir para a preservação da floresta. Eles são os guardiões daquele espaço.
Essa experiência evidencia que a promoção de mercados éticos fortalece tanto a conservação ambiental quanto a autonomia econômica. A rede evita a dependência de atividades ilegais, estimula a permanência das comunidades em seus territórios e contribui para preservar culturas que correm risco de se perder.
A nova fase da parceria também traz inovações relevantes, como um mecanismo financeiro para equalizar preços pagos aos produtores e atrair especialmente mulheres e jovens, além de uma agenda voltada ao engajamento de empresas e ao aprimoramento de políticas públicas relacionadas à produção sustentável na região.
Quando falamos em mudanças climáticas, não há fronteiras. Preservar o patrimônio natural e a rica biodiversidade brasileira influência nos cenários climáticos com que, de diferentes formas, todos os governos, empresas e pessoas terão que lidar no presente e no futuro. Por isso, a atuação do setor público, privado, das organizações sociais e de toda a sociedade precisa ser conjunta e integrada.
Iniciativas como essa demonstram que a atuação social responsável está diretamente conectada à agenda climática e à construção de resiliência. Também reforçam o papel das empresas em estimular modelos de desenvolvimento mais inclusivos, transparentes e compatíveis com a transição climática.
Como o projeto Zurich Forest evoluiu desde seu lançamento e quais são as metas de impacto ambiental e social associadas à parceria com o Instituto Terra?
O projeto Floresta Zurich, desenvolvido em parceria com o Instituto Terra, tem avançado de forma consistente desde o seu lançamento e já se consolidou como uma das principais iniciativas socioambientais da Zurich no mundo todo.
O programa contribui diretamente para a restauração de parte da Mata Atlântica na região de Aimorés (MG), em uma área que sofreu décadas de degradação antes da atuação da organização. Até o momento, mais de 800 mil mudas de espécies nativas foram plantadas — um trabalho de longo prazo que envolve plantio, manejo, manutenção e enriquecimento florestal.
A meta estabelecida pela Zurich é plantar 1 milhão de mudas até 2028, ampliando a cobertura florestal e fortalecendo serviços ecossistêmicos essenciais, como recuperação do solo, proteção de nascentes e retorno da biodiversidade local. A escolha por um projeto de regeneração de Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do mundo, reforça o compromisso da companhia com soluções de impacto mensurável.
Além do impacto ambiental, a parceria com o Instituto Terra também gera benefícios sociais relevantes ao envolver comunidades da região em atividades de educação ambiental e capacitação técnica.
Essas ações ampliam a conscientização local, estimulam o engajamento com práticas sustentáveis e contribuem para o fortalecimento de uma cultura de conservação ambiental entre crianças, jovens e pequenos produtores.
A Floresta Zurich evidencia como projetos baseados em ciência e execução técnica podem apoiar a restauração de biomas e gerar impactos positivos duradouros para ecossistemas e comunidades.
A COP30 é vista pela Zurich como uma “parada importante” na construção de um futuro sustentável. Que tipo de legado a companhia espera deixar após o evento, tanto para o setor segurador quanto para a sociedade?
A Zurich enxerga a COP30 como um passo de virada importante para o setor segurador e para o país, unindo ciência, dados e colaboração para acelerar a agenda de sustentabilidade. O legado que a companhia busca deixar após o evento está concentrado em três frentes.
A primeira é reforçar no mercado a importância de integrar adaptação climática, prevenção e visão de longo prazo. A Zurich quer consolidar a percepção de que as seguradoras são parceiras estratégicas na redução de riscos físicos e na construção de resiliência para empresas, governos e comunidades, e não apenas na etapa de indenização.
A segunda é ampliar o debate técnico sobre modelagem climática, uso de dados de risco e investimentos resilientes. A companhia pretende influenciar a incorporação dessas práticas em políticas públicas, projetos de infraestrutura e decisões financeiras, deixando contribuições que sigam além da conferência.
A terceira é fortalecer e dar maior visibilidade iniciativas sociais e ambientais já existentes, como a Floresta Zurich, mostrando que a proteção de pessoas e ecossistemas deve caminhar junto. O objetivo é evidenciar que sustentabilidade, inclusão e desenvolvimento local fazem parte da construção de um futuro mais seguro.
Com isso, a Zurich espera contribuir para um legado que una impacto técnico, avanço setorial e benefícios sociais, conectando o evento global a resultados concretos para o Brasil.
Como a Zurich pretende usar sua influência global para fortalecer o protagonismo do Brasil na agenda climática internacional? Há planos de ampliar parcerias com governos, reguladores ou outras empresas do setor financeiro?
O Brasil, por seu imenso e rico patrimônio natural, ampla disponibilidade de recursos naturais e seu consequente potencial de influenciar o futuro, é um dos protagonistas da agenda climática internacional, sem dúvidas. Não à toa, a Floresta Zurich, umas das principais iniciativas do Grupo Zurich voltadas à preservação da biodiversidade, está aqui, no Brasil.
Nosso papel, portanto, através de nossa presença global e da aproximação com diversos fóruns técnicos nacionais e internacionais, públicos e privados, é fortalecer o protagonismo do setor segurador nesse debate.
Precisamos levar para diferentes setores e alçadas públicas de decisão discussões fundamentais sobre adaptação, prevenção e uso de dados na gestão de risco — são temas de profundo conhecimento deste mercado e que podem ajudar o país a se posicionar como referência em soluções climáticas e políticas baseadas em ciência.
Neste contexto, aprofundar o diálogo contínuo com governos, reguladores e empresas do setor financeiro, sempre mapeando oportunidades de cooperação, é fundamental.
Fonte: Sonho Seguro