Prejuízo de R$ 64 mil após acidente expõe riscos de seguro de moto com cobertura limitada
O caso do motociclista que acumulou um prejuízo de R$ 64 mil após um acidente em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, mesmo tendo seguro contratado, chama atenção para um problema recorrente no mercado: a contratação de coberturas insuficientes, apenas para roubo e furto. A situação, exibida no dia 17 de dezembro pela Record TV, não envolve erro da seguradora, mas evidencia uma lacuna de proteção que poderia ter sido evitada com uma análise mais completa no momento da contratação.
Segundo Frederico Almeida, proprietário da BMEX Group, se o motociclista tivesse um seguro compreensivo, o cenário seria outro. “Ajudaria de forma objetiva: ele não estaria discutindo prejuízo agora. O seguro compreensivo protege a moto do próprio segurado, independentemente de quem causou o acidente. Se deu perda total, a seguradora indeniza. Se foi conserto, paga o reparo, com aplicação de franquia”, explica. Ele ressalta que um dos erros mais comuns é associar o seguro apenas ao risco de roubo. “Na prática, o maior risco é o acidente, e é exatamente aí que o seguro simples falha.”
Em motos de alta cilindrada, a escolha da cobertura se torna ainda mais crítica. “Via de regra, o seguro cobre 100% da Tabela Fipe, podendo chegar a 105% ou 110%, dependendo da seguradora. Em motos desse porte, a peça é cara, a mão de obra é cara, e um impacto aparentemente normal vira um prejuízo grande muito rápido”, afirma Frederico. Para ele, a lógica é clara: “Ou você protege o patrimônio inteiro, ou aceita o risco de perder tudo.”
A diferença entre as modalidades também costuma gerar confusão entre os consumidores. “Roubo e furto só funcionam se a moto for roubada ou furtada. Se bateu, caiu, escorregou ou foi atingido por outro veículo, não cobre. Já o seguro compreensivo cobre o que realmente acontece no dia a dia: colisão, queda e perda total”, resume o executivo. “Muita gente compra achando que está segura. Na verdade, está só parcialmente protegida e descobre isso tarde demais.”
Outro ponto levantado no caso é a possibilidade de o seguro do carro responsável pelo acidente cobrir os danos do motociclista. Frederico explica que isso só acontece se houver cobertura de danos a terceiros e com limite suficiente. “O problema é que muita gente não contrata esse tipo de cobertura ou escolhe valores muito baixos, que não pagam um prejuízo real. Contar com o seguro do outro é apostar na sorte. Seguro bem feito é aquele que protege você, não depende do outro.”
Para o proprietário da BMEX Group, o episódio reforça a importância do papel do corretor de seguros. “O corretor não está ali para vender preço. Está ali para traduzir risco. Precisa explicar o que está coberto, o que não está e quanto custa errar nessa decisão”, afirma. “Seguro barato que não cobre quando você precisa não é barato, é caro.”
Frederico também destaca que, conforme ficou claro na reportagem, o motociclista tinha ciência de que sua apólice cobria apenas roubo e furto. “Isso mostra que, nesse caso, o corretor fez o trabalho de esclarecimento. Ainda assim, o exemplo serve de alerta: quando o cliente entende o seguro só depois do acidente, o prejuízo já aconteceu.”
Mais do que apontar falhas, o caso funciona como um sinal de atenção para consumidores e para o mercado. Entender as coberturas contratadas e suas limitações é fundamental para que o seguro cumpra seu papel de proteção financeira no momento em que o risco se concretiza.
Fonte: https://segurocatarinense.com.br/noticia | Por CQCS