Quem fechou o Estreito de Ormuz: o Irã ou as seguradoras?
Texto publicado originariamente por Antônio Penteado Mendonça no site Estadão Online
Outro dia escutei num evento do mercado segurador que quem fechou o Estreito de Ormuz não foi o Irã, foram as seguradoras. Em princípio, a afirmação pode parecer megalomaníaca ou falta de noção, mas, se analisarmos a colocação e os fatos, veremos que ela tem muito de verdade.
Não há dúvida, o Irã ameaçou fechar o estreito por onde passam 20% do petróleo do mundo. O resultado foi o aumento imediato do seu preço, mas até aí, na medida que os Estados Unidos afirmaram que garantiriam a segurança dos navios, o fechamento prometido pelo Irã deixou de ser uma certeza. Pode ser que sim, pode ser que não.
Além disso, um navio pode realmente ser incendiado como foi prometido pela Guarda Revolucionária, mas isso não quer dizer que todas as embarcações serão atingidas, ou afundadas.
Quem interrompeu o tráfego de navios na região realmente foram as seguradoras que, tão logo as coisas esquentaram, suspenderam as coberturas securitárias das embarcações e cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz e Golfo Pérsico.
Ninguém em sã consciência arriscaria ordenar que um navio que custa milhões de dólares, transportando uma carga que vale outros tantos milhões de dólares, se aventurasse a cruzar o Estreito de Ormuz sem seguro, tanto para o navio, como para a carga.
O seguro existe para proteger patrimônios, especialmente em situações de risco mais agudo. Quando, em função de algum evento que ameace a estabilidade dos fundos das seguradoras, elas suspendem a oferta de seguros, fica difícil correr o risco sem a sua proteção e o resultado é pessoas e empresas deixarem de fazer o que pretendiam, inclusive no seu negócio, pela falta da garantia da reposição de seus prejuízos.
Fonte: CNseg | Noticias do Seguro