Dia Mundial do combate ao AVC: médico responde as dúvidas mais frequentes
Presta atenção numa cena simples: o rosto cede, o braço não obedece, a palavra falha. Tudo acontece de repente. É o corpo pedindo socorro. Esse pode ser o início de um Acidente Vascular Cerebral, o AVC, uma das emergências médicas mais graves e que exige ação imediata.
No Brasil, uma pessoa morre a cada seis minutos por AVC. Só em 2024, foram mais de 85 mil mortes, segundo o Ministério da Saúde. No mundo, o número é ainda mais alarmante: quase 12 milhões de casos por ano. E o dado que mais chama a atenção: um em cada quatro adultos vai ter um AVC ao longo da vida.
— Tempo é cérebro. A cada minuto sem circulação adequada, milhões de neurônios são perdidos. Reconhecer os sinais e acionar o socorro imediatamente faz toda a diferença no desfecho do paciente — explica o cirurgião vascular Marcelo Mandelli, com mais de 30 anos de experiência.
O AVC ocorre quando o sangue deixa de chegar ao cérebro, o que pode ocorrer por entupimento da artéria (AVC isquêmico), responsável por 85% dos casos, ou por rompimento de vaso, caracterizando o tipo hemorrágico. As artérias carótidas, que levam o sangue do coração ao cérebro, são responsáveis por 10% a 20% dos AVCs isquêmicos.
Identificar e tratar o estreitamento dessas artérias é uma das principais medidas de prevenção. Apesar de mais comum entre os idosos, a doença não é restrita à terceira idade: 15% dos casos ocorrem entre 15 e 49 anos.
— O AVC pode atingir qualquer pessoa, especialmente quando há fatores de risco como hipertensão, tabagismo, diabetes e sedentarismo — alerta o médico.
A boa notícia é que o tratamento para AVC tem avançado rapidamente. Outro ponto positivo é que a maioria dos AVCs pode ser evitada. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, 90% dos casos estão associados a fatores modificáveis, como pressão arterial alta, tabagismo, obesidade, sedentarismo e até a poluição.
— Pressão controlada é o principal fator de proteção. Cuidar do coração é cuidar do cérebro — destaca Mandelli.
Perguntas mais frequentes no consultório, com respostas do médico Marcelo Mandelli
1) Quais são os primeiros passos quando desconfio de AVC?
Observe face, força e fala. Se houver assimetria facial, fraqueza em um lado do corpo ou fala alterada, ligue 192 imediatamente. Não tome remédios por conta própria e não espere melhorar.
2) Depois de um AVC, sempre ficam sequelas?
Quanto mais cedo o tratamento, maior a chance de independência funcional. Muitos pacientes retornam às atividades com pouca ou nenhuma sequela quando recebem trombólise e/ou trombectomia a tempo e reabilitação precoce.
3) Quem está no grupo de risco?
Hipertensos, diabéticos, pessoas com colesterol alto, fumantes, quem tem fibrilação atrial, obesidade, sedentarismo, história familiar e idade acima de 55 anos. Mulheres com enxaqueca com aura, uso de tabaco e anticoncepcional combinados também precisam de atenção.
4) Tenho pressão alta controlada. Ainda corro risco?
Sim, mas um risco muito menor do que o de quem não trata. Manter a pressão controlada, em conjunto com hábitos saudáveis, reduz substancialmente a probabilidade de um AVC.
Serviço rápido: memorize os sinais e o que fazer
- Sinais: rosto caído, fraqueza em um lado, fala arrastada ou confusa, dor de cabeça súbita e intensa, perda de visão, tontura.
- Ação: suspeitou de AVC: ligue 192. Vá ao hospital mais próximo para tomografia. Leve a informação do horário exato em que a pessoa foi vista em bom estado pela última vez.
Se você tem fatores de risco, procure sua unidade de saúde para avaliação e acompanhamento.
— Prevenção é diária e personalizada. Com informação de qualidade e check-ups em dia, é possível reduzir concretamente o risco de AVC — conclui o Marcelo Mandelli.
Fonte: NSC Total