5 perguntas (e respostas) sobre carros elétricos e Seguro Auto
Os carros elétricos deixaram de ser apenas uma promessa tecnológica para ganhar espaço real no mercado, inclusive no Brasil. Esse avanço traz uma consequência direta: o Seguro Auto precisa evoluir para acompanhar novas tecnologias, riscos e formas de uso.
A seguir, reunimos 5 perguntas (e respostas) que ajudam a entender o que muda, e por que isso importa para consumidores, seguradoras e todo o ecossistema.
1. Carro elétrico ainda é nicho?
Não mais, embora ainda esteja em fase de expansão no Brasil.
A frota brasileira de eletrificados leves já se aproxima de 650 mil unidades, somando os emplacamentos desde 2012. Em 2025, foram 223.912 veículos eletrificados vendidos, com participação de 9% nas vendas de leves no ano e 13% em dezembro.
Esse crescimento, cerca de dez vezes maior que o do mercado total de leves, faz com que os elétricos passem a ter peso real nas carteiras de seguro, e deixem de ser tratados como exceção estatística.
Ao mesmo tempo, o país ainda está em processo de consolidação, com expansão gradual da infraestrutura, custos elevados e concentração regional, o que mantém o tema em evolução no contexto nacional.
2. Elétricos sofrem menos acidentes?
Não necessariamente.
Estudos internacionais indicam que a sinistralidade pode ser maior em veículos eletrificados. Um levantamento da Fidelidade (Portugal) aponta uma taxa cerca de 50% maior em elétricos e 25% maior em híbridos, na comparação com veículos a combustão.
Já relatório da Mitchell mostra que, em 2025:
- os pedidos de reparo por colisão com EVs cresceram 14% nos EUA
- e 24% no Canadá
Embora sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS) ajudem a evitar alguns tipos de colisão, fatores como:
- maior peso do veículo
- aceleração instantânea
- curva de aprendizado do condutor
… podem compensar essa vantagem, especialmente em ambiente urbano.
Importante: esses dados são internacionais e ainda não refletem integralmente o comportamento do mercado brasileiro, que segue em amadurecimento.
3. Por que o sinistro de um elétrico costuma ser mais caro?
Porque o valor do veículo está concentrado em bateria, eletrônica e sensores.
Nos levantamentos da Mitchell:
- veículos elétricos exigem, em média, 1,70 calibração por orçamento
- contra 1,54 em veículos a combustão
Isso indica maior complexidade no reparo.
Na prática:
- pequenas colisões podem atingir bateria, sensores ou módulos eletrônicos
- muitas peças exigem substituição completa (não reparo)
- há maior uso de peças originais (OEM)
Além disso, em alguns casos, protocolos de segurança recomendam a substituição integral da bateria após impactos específicos, aumentando a probabilidade de perda total técnica.
Esse cenário explica por que o custo médio de indenização tende a ser mais elevado.
4. O que muda nas coberturas do seguro auto?
Novos riscos entram em cena — e antigas cláusulas deixam de ser suficientes.
Entre os novos cenários que ganham relevância:
- danos em pontos de recarga residenciais
- incidentes durante carregamento em estacionamentos de terceiros
- pane de bateria em rodovia
- curto-circuito em enchentes
Esses eventos passam a exigir tratamento explícito nas condições gerais, inclusive em responsabilidade civil.
Além disso, há uma mudança estrutural importante:: o peso do software aumenta no risco segurado
Situações como:
- falhas em atualizações OTA (over-the-air)
- problemas em sistemas de assistência ao motorista
podem gerar sinistros cuja fronteira entre:
- defeito de fabricação
- e risco segurável
… nem sempre é clara.
Isso exige revisão cuidadosa de:
- exclusões
- coberturas adicionais
- e critérios de responsabilidade
5. A rede de oficinas está preparada para atender elétricos?
Ainda não plenamente, e esse é um ponto crítico para o seguro.
O reparo de veículos elétricos exige:
- técnicos treinados para alta tensão
- equipamentos específicos
- protocolos rigorosos de segurança
Isso reduz o número de oficinas capacitadas e tende a aumentar:
- o tempo de reparo
- e o custo do serviço
Dados indicam ainda:
- maior necessidade de calibração
- maior dependência de diagnóstico eletrônico
- uso mais frequente de peças originais
No Brasil, esse desafio se intensifica porque:
- a infraestrutura e a frota ainda estão concentradas em grandes centros
- a rede especializada ainda está em expansão
Além disso, a infraestrutura de recarga — embora em crescimento — ainda é um fator limitante. Estimativas mais recentes apontam que o país já se aproxima de 20 mil pontos de recarga (entre públicos e semipúblicos), número superior a levantamentos anteriores, mas ainda concentrado em regiões específicas.
Para o seguro, isso significa a necessidade de:
- mapear e credenciar oficinas especializadas
- desenvolver rede técnica
- ajustar processos de atendimento
Fonte: CNseg | Notícias do Seguro